Anunciação Vermelha

Óleo sobre tela

240 x 300 cm

Intersecção Laranja

Óleo sobre tela

240 x 300 cm

Santo Antônio

Óleo sobre tela

180 x 220 cm

Sem título

Óleo sobre tela

80 x 100 cm

Sem Título

Óleo sobre tela

80 x 100 cm

Sem Título

Óleo sobre tela

50 x 70 cm

Sem título

Óleo sobre tela

40 x 50 cm

Sem Título

Óleo sobre tela

50 x 70 cm

Sem Título

Óleo sobre tela

80 x 100 cm

Sem Título

Óleo sobre tela

180 x 220 cm

Barómetro

Óleo sobre tela

40 x 60 cm

Sem Título

Óleo sobre tela

50 x 70 cm

Fuga

Óleo sobre tela

80 x 100 cm

Para Figari

Óleo sobre tela

50 x 70 cm

Sem Título

Óleo sobre tela

50 x 70 cm

Sem título - série Serrote Nº 25

Óleo, grafite e fita sobre papel

33 x 48 cm

Sem título - série Serrote Nº 25

Óleo, grafite e fita sobre papel

33 x 48 cm

Sem título - série Serrote Nº 25

Óleo, grafite e fita sobre papel

33 x 48 cm

Variação 5b

Impressão digital sobre papel Canson Etching Rag 310g

109 x 149 cm

Variação 6c

Impressão digital sobre papel Canson Etching Rag 310g

161 x 141 cm

Variação 6b

Impressão digital sobre papel Canson Etching Rag 310g

161 x 141 cm

Paulo Pasta

03/08/2019 até 14/09/2019

Curitiba - Simões de Assis Galeria de Arte

 

Artistas: Paulo Pasta .

 

SENTIR PINTURA


Gostaria de usar a palavra italiana sente, do verbo sentire, para falar dessas pinturas de Paulo Pasta. Não só por tudo que ela significa; escuta, sente, presta atenção, percebe e conhece, também pela tonalidade sensual do italiano que essa pintura possui e pelo que ela diz em português: sentir, somente. Pois sentir com uma intensidade coesa me parece a proposta singular deste trabalho, única talvez na pintura brasileira atual. Não vejo como se fragmentar, não há como se dividir diante de suas telas sem trair a verdade que elas trazem. Dividir, então, não é sentir. Sentir é tudo ou nada. 

E a experiência dessa pintura está, creio, em aproximar o mais possível o sentir a totalidade, que é a luz indivisível. Ficamos entre uma difusão e uma infusão; diante do espaço que se amplia através do que vai ermanecendo. Só assim a superfície é válida na pintura. A tela, sinto, atua como um difusor/infusor da luz. Torna-se uma superfície de manação da luminosidade e a pintura busca manter a mesma temperatura cromática absorvida; infundir a mesma intensidade visual em todo o espaço. Não pode haver eventos bruscos, nada que lembre a velocidade excessivamente fragmentaria da vida contemporânea. Na amplidão da tela, a pintura se expande sem saltos ou rupturas; constrói-se sedimentando-se. Não há brusquidão de formas ou cores, ritmos marcados ou contrastes peremptórios, ações incisivas do Eu. Temos um espaço aparentemente sereno, um tempo clássico /moderno que invoca Rothko, Morandi, Volpi, Brice Marden. Aí, neste organizar quase imperceptível, essencialmente discreto, surge o mundo traduzido um momento de quietude e escuta, dado por impressionismo não do instante, mas do perene. Esta imersão total, de corpo inteiro, sugere uma homogeneidade absoluta do sentir com a coisa sentida. Realização de uma dificílima unidade luz/vida, aquela mesma que Volpi atingiu.


Na tela as coisas estão pousadas, como a luz pousa sobre uma superfície e toma corpo. O arquiteto Louis Kahn escreveu que a arquitetura surge, pela primeira vez, quando a luz do sol bate numa parede. Assim também certa pintura. Aquela que vem do muro. O muro tem uma história pictórica notável. Nele, mais do que se imprimem, as coisas se depositam. Mais do que ideal, é um espaço físico, tátil. O olho toca,  mais que vê. Sente, mais que olha. Vai se percebendo-sentindo-certas temperaturas nessas pinturas. Os valores cromáticos parecem diferenciar-se pela delicada maior ou menor quantidade de calor que são sutilezas próprias à sensualidade. E, penso, à tênue tensão erótica  que propriamente emana das telas. Porque a pintura aqui é um corpo, que se pode sentir, quase apalpar através do olhar. É o prazer  que o olho sente ao percorrer a tela; É o próprio sentir-se-plena sensualidade atemporal do desejo. Oposta à velocidade, uma espera lenta. Uma espécie de suspensão - “pátina do tempo escoado” (Manuel Bandeira), um decantar à espera de que as coisas cheguem ao que são: um sentimento temporalizado. Na amplidão, e imperturbabilidade, as tensões cessaram ou diminuíram, um tanto apaziguadas. A pintura atinge o máximo de intensidade em repouso. Tão mais sólida quanto se esvai. Tão mais intensa quanto mais se retrai. E nesse retraimento há uma exposição máxima. Uma cálida vibração, que vela e expõe a verdade despojada e bela.

Límpida, depurada, inequívoca, ancorada num saber pictórico pouco comum entre nós e ainda em construção, a pintura de Paulo Pasta parece prescindir da invenção. Ou melhor, alonga a invenção e a preserva num meticuloso fazer. A invenção é a forma da espiritualidade que torna o presente da vida respirável. Como tantos outros calados, Paulo Pasta é um lírico que aspira a uma grandiosidade inédita na pintura brasileira. 


Paulo Venancio Filho