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Geração 80 | Revista DasArtes


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© Rubens Chiri / © Projeto Leonilson Leonilson, 1957 Fortaleza- 1993 São Paulo

Era julho de 1984 e 123 artistas de várias partes do país se reuniriam num grande site-specific no prédio do Parque Lage, no Rio de Janeiro. A abertura da exposição foi uma festa que reuniu toda uma geração crescida à sombra de 20 anos de ditadura militar. Na mostra, diversas propostas reunidas pela jovem curadoria de Marcus Lontra, Paulo Roberto Leal e Sandra Mager tendo, como um de seus nortes, a importância da imagem. Ali, havia um encontro de artistas que buscavam um caminho entre o conceito e a artesania, com trabalhos pensados e construídos por eles próprios dentro de seus ateliês. Intitulada “Como Vai Você, Geração 80?”, a mostra completou 30 anos em 2014 e é, a partir do dia 18 de junho, revisitada por meio de seus principais nomes, com curadoria novamente de Marcus Lontra. A mostra “Geração 80: Ousadia & Afirmação”, segue até 1º de agosto na Simões de Assis Galeria de Arte, em Curitiba. 
Em vez de trazer trabalhos da época da exposição histórica desses artistas, Lontra empreende uma visita à produção mais recente desses que são nomes integrantes da história da arte brasileira. “A mostra reúne obras de décadas variadas e funciona como um caleidoscópio: imagens que se sobrepõem, se movimentam e se alternam na construção de um conjunto íntegro e orgulhoso”, diz o curador. 
Boa parte deles pintores – a geração foi apontada pela crítica como responsável por trazer a pintura à evidência novamente -, eles apresentam propostas tão distintas quanto como Beatriz Milhazes, Cristina Canale, Daniel Senise, Delson Uchôa, Gonçalo Ivo e Jorge Guinle (falecido em 2004). Há ainda escultores, como Barrão, e artistas que trabalham diversos meios – arquivos pessoais, bibliotecas íntimas, diários de viagem - como Leonilson (falecido em 1993), Leda Catunda e Luiz Zerbini. “Esses artistas são fundamentais em qualquer publicação sobre a história da arte brasileira”, diz Lontra. 
Sua produção ao longo das últimas três décadas é revista, apresentando propostas e pesquisas que foram se consolidando e trazendo novas identidades, ousadas e vigorosas, como o próprio nome da exposição aponta. Lontra, que curou a exposição hoje histórica, lembra que a Geração 80 rompeu com a ideia de vocação construtivista brasileira, permitindo que os artistas se expressassem dentro de suas vocações com liberdade. 
A geração 80 foi um momento decisivo na história da arte brasileira. Nele, a arte do país se afirmou internacionalmente e propôs um novo recorte à produção dos artistas, voltada para a figuração e uma alma barroca. Seus integrantes, vindos de diversos lugares do país (como Uchôa, alagoano) trabalhavam entre o conceito e a artesania e priorizavam “a valorização do fazer como instrumento provocativo do pensar”, diz Lontra. A força do artista vinha não mais da primazia do conceito, mas de uma ação integrada entre agir e pensar, que garantia força e vigor a essa produção, que pode ser conferida em um recorte especial, com seus principais nomes.



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